29 fevereiro 2012

~>Doce sonho, expectativa e realidade...

Sou tão doce.
Ou poderia ter feito sua vida ser assim.
Sou um poço de coisas belas,
Aquela que lhe traria a melhor aventura.
Faria ser tudo mais belo, sua vida brilhar.
Beijaria-lhe como se não houvesse amanhã.
Escutaria teus anseios, teus medos sem pressa.
Seria tua amiga, tua irmã.
Seria tua amante mais ardente,
A namorada mais dedicada. Seu porto seguro.
Enxugaria suas lagrimas quando necessário
Faria todo esforço do mundo para lhe fazer sorrir.
Encararia qualquer coisa ao seu lado,
Quaisquer dificuldades que surgissem em nosso caminho.
Gritaria com sua vitória,
Pegar-te-ia quando houvesse queda.
Seria o abraço mais terno,
Teu calor no mais frio inverno.
Seria amor e seria paixão.
Poderia não durar eternamente,
Mas o ápice de felicidade permaneceria em sua mente para sempre.
Sendo sua por apenas um segundo, um minuto, um dia que fosse,
Eu faria cada momento valer a pena por ter me cedido tua vida e coração.
Seria tudo isso e tão mais.
Mas tal é a vida que nos ensina:
Que ela não é divida entre o que queremos ou não.
Mas entre expectativas e realidades.
Você não está na minha realidade, mas mora em meus doces sonhos
E lá és tão feliz ao meu lado.

09 fevereiro 2012

->Tutorial de como não fazer um churrasco. (Mas que pode vir a calhar)

Pedimos a colaboração dos leitores em não perguntar à autora sobre a veracidade dos fatos. Devido a ameaças de vida, ela não pode responder tais perguntas. Agradecemos a colaboração.

E foi mais ou menos assim...
 
Um sol de cozinhar os miolos e um calor aparentando ser uma amostra grátis do que seria o inferno (apesar de eu acreditar cegamente que o inferno é aqui, enfim...). Semana estressante. Trabalho, muito trabalho, dor de cabeça? Até demais. A promessa era um churrasco ao fim de semana. Bom demais. Churrasco, piscina, chácara, rede e tranqüilidade. O que mais poderíamos querer?

Como não consegui folga no fim de semana para ir com o resto do pessoal na sexta, tive que ir sábado depois do trabalho. Peguei minhas “tralhas” absurdamente rápido e nem um minuto depois do programado eu já estava no ônibus rumo ao paraíso. Eis que começa a aventura...

Foi combinado de irem me buscar na estrada até porque esse lugar maravilhoso, pelo qual amo demais, fica absurdos quatro km para “dentro do mato” e não tenho nem em minha imaginação mais fértil condicionamento físico para isso.

Descendo no ponto de ônibus notei Lindomar Orlando, O Tio (usaremos pseudônimos nessa história para preservar a imagem e a dignidade das “vitimas”) já me esperando com uma cara de extrema preocupação. Estava ao celular. Aproximei-me e ele apontou para eu entrar no carro. Joguei minhas coisas lá dentro e fiquei prestando a atenção na ligação:

-Porque vocês não vêm tomar um café aqui com a gente? Vou fazer um churrasco... É... Então apareçam... O que? Ah, vim buscar a Barbara na estrada, por isso estou ligando, sabem que lá não pega celular. Ah, ok! Vou esperá-los. Tchau.

Desligou. Olhou para mim sério e impassível.

-A Fabiana não vem.

-:Como assim? –perguntei

-É... Ela não vem. Eu estava ligando para outro pessoal para ver se eles vinham, mas não acredito que isso aconteça.

Na minha cabeça eu sabia a resposta de tudo isso. Chamar as pessoas com antecedência é o melhor negócio. Mas, enfim, como a chácara é dele, ele bem faz o que achar melhor.

-Quem vai fazer o churrasco? – questionei.

Ele arfou, deu uma baforada do seu cigarro e desconversou. Eu não disse mais nada.

-Lá vem o Hal – apontou  Lindomar.
Hal Jordan, O Sobrinho, vinha em passos lentos com sua camisa de “Vingador” e óculos de sol parecendo um matador. Eu quis rir, sério mesmo, mas não o fiz. A situação estava ficando meio tensa. Mentira! Eu ri sim, não perderia a oportunidade, mas não deixei ele ver. Mentira! Acho que ele viu sim... Enfim...

-Pronto tio, comprei o pão! – ele disse arfando, suando em bicas.

-Ótimo! Então vamos embora!

 Entramos no Titio Móvel , atualizando as fofocas, no rádio boa música como sempre, mas dentro do meu coração algo gritava que alguma coisa ia rolar ali de estranho. Meu coração? Meu estômago? Vai saber!

Chegamos lá, cumprimentei a titia e a pedidos sérios do meu amado tio de eu enfiar um biquíni logo, devido a sua aflição de me ver num calor tão grande cheia de roupas pretas, saio em disparada para me trocar. Voltando vi que a “coisa” tava ficando séria.

E assim seguem-se os fatos:

L.Orlando vai em direção a churrasqueira. Joga carvão. Joga Álcool. Toca fogo. O fogo sobe, ele abana. O fogo acaba. Mais álcool, mais fogo. O fogo sobe. Ele abana. O fogo apaga.

-É por isso que eu não gosto de fazer churrasco! Eu não entendo como eles conseguem acender isso. - esbravejou ele pegando outro cigarro.

-Você não sabe acender uma churrasqueira? – indaguei sentando-me à mesa.

Hal olhou para mim balançando a cabeça negativamente. Meu Deus! O que seria de nós? O que seria do nosso “papa”? Não disse nada, pois a situação era tão tristinha que eu não queria piorar.

Pobre do meu tio. Colocou mais álcool, que por sinal já estava acabando, o fogo sobe até o alto, mas começa a baixar. Hal tomou as dores do tio e correu para ajudá-lo. Colocaram tanto carvão que ele também já estava acabando junto com a minha esperança de um churrasquinho...

Sai para tomar uma água, relaxar e quando voltei pensa numa coisa “tensa”? Vi Hal enrolando jornal e jogando na churrasqueira junto com vários pedaços de papelão. Sério, fiz uma retrospectiva mental rápida de todos os churrascos que fui na vida e não me lembrava dessa parte.

Caos! Eles correm jogando cada vez mais coisas lá dentro. Hal quase se queima diversas vezes. Os dois pretos devido à fumaceira que está invadindo o recinto. E pior, com óculos de sol para não queimar a vista!!! Tem como não achar a situação um tanto... Estranha?

E chegamos à pior parte? Não! Num ato de desespero vejo meu tio passando correndo e jogando o que meus caros leitores? Querosene! Dou um grito. O fogo se alastra. E a maldita churrasqueira não pega DE JEITO NENHUM! Uma fumaça preta começa a subir e Lindomar não satisfeito, com uma expressão homicida joga Removedor!

A situação não poderia estar pior. Aquele cheiro de removedor se alastra rapidamente e não vejo a possibilidade de assar alguma coisa ali. Mas como para eles já não era nem fome e sim orgulho a batalha não havia terminado.

Viro as costas. Meu Deus!

-Agora sim! –ouvi os dois festejando.

Olho e vejo dois ramos de alecrim queimando junto com aquela “macumbaiada” toda. Alecrim? Isso mesmo!

-Para que Alecrim? – suspirei totalmente descrente.

-Ora! – exclamou L.Orlando como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo - para tirar o cheiro do removedor.

HAHAHAHA Só rindo mesmo. Sério, na minha mente não havia mais a remota chance de alguma carne ser assada em tal situação. Mas agora não sei, se foi Deus, se apiedando, se foi a churrasqueira mesmo, desistindo da guerra... Só sei que ”puf” a churrasqueira finalmente pega. Olhamos todos surpresos um para o outro. Claro, aqueles dois coitadinhos acabados depois da guerra só faltaram chorar. L.Orlando logo correu e botou para assar tudo.

Dizem que a fome é o melhor tempero. Olha, de verdade não sei se concordo ou discordo. Mas sei que o “negócinho” ficou bom viu? Depois os caseiros foram lá e comeram com a gente e elogiaram a beça. Ninguém contou nada sobre como foi feito o tal churrasco. Mas enquanto eles lambiam os beiços eu rezava para as palavras: removedor, jornal, querosene e papelão não passarem pela cabeça deles. Fomos salvos pelo Alecrim.

26 janeiro 2012

~>Bonecos no modo automático.

E lá estou, visitando as redes sociais da vida (terrível vicio que pretendo livrar-me), vendo fotos de amigos que viajaram no feriado. Em um determinado momento esbarrei no perfil de uma amiga que faz um determinado tempo que não converso e acabei perdendo o contato. Detalhe, ela nem mora assim tão longe. Enfim, resolvi ver suas fotos para ver como anda a vida e tal, e a resposta me veio tão rápida no primeiro álbum que visitei.
O álbum se chamava “Canil”. Pausa dramática. Mais um pouco de dramatismo. Virei para um caro amigo mais tarde e perguntei quem em plena sã consciência coloca o nome do seu álbum de Canil? Ele me responde que é o nome de uma balada numa cidade próxima. Até ai tudo bem, mas nenhuma mulher que se preze coloca o nome de um álbum de fotos de ”Canil”.
Ninguém.

Avaliando o resto das fotos dela, constatei que o termo pelo qual me assustei, era muito fofo e meigo. E vocês leitores inteligentes devem bem supor por que. A cada foto um “ohh” diferente. Em um leque de baladas diferentes e em poses de dança tão estranhas e tão sexualmente explicitas, eu boquiaberta já não era nada. E pior, a cada visualização ia reconhecendo junto com ela amigas que cresceram junto comigo.  Porém depois da sessão, percebi um padrão bem óbvio pelo qual não me encaixo:
1-      Cabelos lisos (escorridos) até a cintura;
2-      Vestidos micro curtos e mais-calças com desenho “sexy”(?);
3-      Todas com um copo de bebida na mão.
4-      Saltos altíssimos vermelhos, rosa, verde e etc;
5-      Siliconadas, com pernas gigantes e bundas idem de muita academia.

Elas ao fim se tornaram uns clones que não entendi ainda. E os rapazes também! Todos musculosos, com tatuagens de um circo de horrores, mostrando suas línguas. Todos com cara de:”Vim pegar todas hoje!”.  E elas: “Vim ser pega hoje!”. E não vou comentar o estilo musical. Não vou!
Todos se tornaram bonecos no modo automático. Todos agindo da mesma maneira. E achando que a vida é isso: baladas e “pegação”.
Quando olho para mim vejo assim: a garota que gosta de usar all-star e calça jeans.  Uso o que acha bonito e fashion, não o curto. Gosto de roupinhas retrôs, floral e tiaras no cabelo. Cafona? Não sei! Mas acho essas coisas tão mais femininas...
Se comentar que passei a noite do feriado assistindo um seriado, mudam de assunto. Quando perguntam a mim o que eu mais gosto de fazer e respondo que é ir ao cinema, fazem cara de tédio. Para não dizer que fui a uma balada, fui uma vez. E foi bom sim, eu curtindo no meu canto.
E faço academia, duas vezes por semana para não ficar enferrujada.
Gosto de ler.  Gosto de escrever. E quando converso com alguém desse “Canil” e eles chegam com um: “Eu quero que ele sejE...”, desconverso e saio andando. Gente que esquentou cadeira na escola.

Será que sou cafona? Ainda não entendi a modernidade?
Olha, de verdade, não entendi essa juventude atual, mas para mim, diversão tem opções muito mais distintas que Tequila e bagunça. Não existe mais dançar juntinho, ou aquela coisa de cortejar a moça.
Quem me dera...
Para eles, apenas sou uma boneca ultrapassada.

20 janeiro 2012

-> Quando amor e ódio escrevem a mesma linha.

E lá estava eu, com o queixo apoiado na mão olhando aquela cena. Ele agarrado com aquela loira sem sal nem açúcar, a beijando sem parar e eu me perguntava se ainda havia ar dentro deles. Na verdade, desejava no mais profundo dos meus planos malignos que ela caísse para trás morta por insuficiência respiratória. Ficaria eu rindo por longas horas vendo aquele blush rosa não esconder a palidez de quem acabara de bater as botas, partir desta para a melhor. Ou pior. Na verdade eu criei dentro da minha cabeça uma frase constante: “Tomara que ela vá para o inferno, tomara que ela vá para o inferno”. Mas eu sei que nem o Dono das Terras do Fogo eterno, do suplicio sem fim, iria querer aquela inútil.

O que me deixava mais indignada era o fato de ele ter aceitado ela. Ver aquela coisa cheia de doce entre os dois, revirando meu estômago e me fazendo passar ao mal ao ponto de suspeitar um inicio de diabetes.  E pior. Querendo gritar para todas as criancinhas passando pelo parque que colocassem uma vendinha em seus olhos inocentes, pois o fato ocorrendo ali era a mais profunda sacanagem imunda.  Quer dizer, não era ainda, mas meus instintos anunciavam o fato totalmente presumível.

Gritem: Invejosa! Eu respondo: Não!
Infelizmente apaixonada. Lembro-me quando o vi pela primeira vez. Mas gostaria de poder esquecer aquele momento. Na realidade não são um pequeno motivo por ter me interessado por ele, mas toda vez que ele passava por mim eu era definitivamente a coisa mais boba dos arredores. Sim, eu estava com ódio daquela menina. Mas não, não vou pintar meu cabelo de loiro para impressioná-lo.  Não vou empinar-me quando o ver, porque isso é humilhante demais...

Mas eu faria qualquer outra coisa, porque amar nos coloca na ânsia de querer o outro. Quando o vejo com aquela garota eu juro que poderia esquartejá-la em mil pedaços facilmente.  Não existe aquele papo de ver o outro feliz.

Quando amor e ódio escrevem a mesma linha, ficam vários sentimentos misturados em uma só sintonia. As pessoas vivem assim a cada instante, eu amaria se ele estivesse ao meu lado, mas odeio o fato de estar tão longe. Quando a auto-estima cai, determino que não sou tão boa assim para ele.  Quando sobe, digo que não é nada comparado a mim. Às vezes até penso que é confortável não estar amarrada com seu burro em um relacionamento, mas tolo é o ser humano, que por tantas vezes sabe que amar nos desencadeia a mares estranhos e tortuosos, mas insistimos em bater a cabeça errando e sofrendo por vezes. E quem nunca morreu de ciúmes alguma vez? E quem nunca insistiu na pessoa errada? Um padrão que acontece continuadamente, num circulo vicioso do universo, em que amor nem sempre é tão colorido assim. Eu sei de cada motivo por fechar os olhos, mas prefiro continuar com minha mão apoiando o queixo, incitando minha mente a pensar em maneiras cada vez mais criativas de esganar os dois pombinhos apaixonados.

Nota: Autora avisa que está muito bem em seu relacionamento, que escreve varias situações sem ao menos estar vivendo-as. Mas o dia em que ele a fizer sofrer, vai fazer questão de matá-lo com as unhas! Rsrsrs.
Nota²: não, ela não é uma serial-killer. Ela gosta de brincar.
Nota³: não, não aconselho que a provoque.

E é isso ai galera! Voltei ao blog!

30 agosto 2011

->"E foram felizes para sempre..." Ãhn?


As pessoas são estranhas. Vamos combinar! Você ai principalmente! Daí achar o cara perfeito, a mulher ideal, cheio de coisas que a gente idealiza e blá blá blá acaba se tornando uma tarefa excessivamente chata, monótona e frustrante.
Quem nesse mundo não esbarrou com “aquele” alguém que você pensou:
-Esse é para a vida inteira!
Eu já! E não bati não só a cara e sim nariz, cabeça, corpo e tudo na porta. É... O amor não dura para sempre!
Doeu? Esta discordando de mim veementemente? Ok, ok! Eu já morei deste lado e te entendo. As pessoas me diziam, alertavam que aquele amoooooor todo e paixão não era eterna. O que eu pensava?
-Corja de invejosos encalhados!
Não vou comentar o que aconteceu, até porque foi muito chato e também acontece de algumas vezes de eu parar e pensar:
-Porque acabou mesmo?
Estranho. Eu tinha tanta certeza, tínhamos por sinal. E no final aconteceu mais ou menos como as Torres Gêmeas. Onze de Setembro lembram?
Estávamos lá, eu e ele se amando. Neném, xuxu, amorzinho. Duas torres fortes. Ninguém derruba? Ninguém! Num belo dia de sol vem uma situação (avião) e bum! Assim de uma hora para outra. Cai um e outro não resiste cai também. E... acabou. É meu bem, fim, hasta La vista!
E como ficamos? Sentimental abalado etc, etc e etc. Mas na realidade depois dessa experiência eu saio com uma grande teoria! As pessoas não sofrem tanto por causa do outro e sim pelos planos! Sério! Eu me lembro que enquanto encharcava o travesseiro ou o ombro de minha mãe amargava:
-Ai...  A gente ia casar, comprar nossa casa, fazer faculdade juntos...
Eu mesma joguei isso na cara do pobre coitado. Quando entendi o problema real, sarei. Virei outra pessoa. Demorou mas um dia acordei...
Casais costumam dizer: “Vou te amar para sempre” (ta bom, eu já disse isso) mas por favor!!! Vocês não sabem o que vão comer amanhã! Não dá para garantir, ter certeza! Até os cientistas já comprovaram que amor não dura para sempre. Abre o Google ai e te garanto que você vai achar alguma coisa. Ou espera, vai acabar passando no “Globo Repórter” mesmo!
Fruto de contos de fadas que plantam em nossa mente a Teoria do Eterno, não vos culpo pela fé em seus relacionamentos. Como disse eu já pensei assim. E como prego, isso tem salvação. Basta desapegar nessas bobeiras do nosso inconciente.
Ai meus amados leitores devem pensar:
-Ahhh! Essa deve ser A Solteirona!
Eu não! Até porque detesto solidão. Já estou com um outro namorado há quase um ano. E vou lhes dizer : É uma maravilha. Porque? Bem, não fazemos planos demais, nem esperamos coisas que sabemos bem que o outro não tem. Deixamos acontecer. Dizemos eu te amo? Lógico! Mas algo como: Te amo hoje. Me faça feliz hoje. te faço feliz por hoje, pois o amanhã e uma simples consequência do ontem. E se no final não der, não deu. Não foi criado uma maré de expectativas baratas que sempre acabvam estragando todo tipo de relacionamento.
Ponto! No final acaba sendo bom demais, pois aproveitamos muito mais, sem as chatices diárias, sem brigas, sem "Discussão de Relação" que é chato de lascar. Até porque sabemos bem que um amor não dura para sempre, mas fazemos questão que depois de cada encontro nos apaixonamos mais uma vez. E outra, outra, mais uma...
"E foram felizes por hoje..."


24 agosto 2011

->Quem sabe em outro verão...

Calor? Antes fosse calor! Era o inferno imposto na Terra... Nada, nada: 50°. Ou mais.

Ele estava nervoso, impaciente. Os primos gritavam. Os primos corriam, derrubavam as coisas, as bicicletas. A tia não achava o macarrão que havia comprado no mercadinho da esquina, a mãe discutia com o pai pelas olhadas nada discretas na moça que passava não com seu shorts Jeans, mas sim “calcinha jeans”, por seu tamanho minúsculo.

A sua irmã empoleirada nos braços do namorado, em uma luta vertical completamente imprópria para o horário, ignorava sem pudor algum, o avô que dava resmungos audíveis de raiva pelo atraso sem tamanho para o atrativo que mais se esperava: La Praia!

Quando chegaram as férias nosso caro herói tremeu na base. Parecia faltar tanto tempo... Mas não! Como noticia ruim vem tão rápido quanto rasteiro, a idéia de que a família se juntaria todinha em uma casinha de três cômodos logo se transformou em realidade, e enquanto o povão se apertava em dois carrinhos compactos, acompanhados de bola, cachorro, papagaio e vizinha penetra, o moço se debulhava em tédio e desespero vendo aquela cena humilhante.
Seguindo os carrinhos descendo a serra com sua moto, ele envergonhado observava a mistura de gente se engalfinhando ao som de uma música tecno-brega nas caixinhas de fósforo . Para ele isso não era idéia de férias. No mínimo seria CASTIGO de pelo menos três vidas de serial-killer. E nesta encarnação ele estava apagando. Ah! Se estava...

Quando chegaram no “projeto-de-casa-de-veraneio” reinou o caos.
E ai nos encontramos na cena em que iniciamos tal aventura, onde nosso amigo nas quatro primeiras horas enclausurado já pedia perdão por todos pecados que havia cometido e os que viria a cometer. Aves- Maria, Pais-Nosso, e outras tantas rezas, pedindo paciência à Deus, Buda... Qualquer coisa divina.

Não que ele fosse Anti-Social. Ou Anti-Familiar. Na verdade ele era contra farofada mesmo. Coisa que essa gente tinha cinco faculdades do assunto. Breguice e falta de senso no ultimo. Mas para não dizerem que ele não gosta de ninguém, para não provocar a avó que vive a chorar por um neto desalmado, que qualquer hora o desgosto acarretaria em um ataque cardíaco fulminante, ele desistiu, a contra gosto  e foi.

Bagunça armada, organização de menos. Todo mundo correndo, se esgoelando, se matando, gente atrás de biquíni, chinelo, crianças... Cadê as crianças? Sumiram! Ah não, ok! Ainda estão matando o cachorro lá na frente. Sunga, isopor. Cadê o isopor? Gritos, gritos e mais gritos. E nosso querido judiado perdendo o pouco que lhe resta de estribeiras.
Mas então aconteceu o pior que poderia acontecer, a tia sai dos fundos e berra:

-Já desossei o frango, cadê a “Tapué” (leia-se Tupperware) pra pode colocar no isopô? (leia-se Isopor)

Bem, isso foi demais para o coração do rapaz! Frango assado na praia? Cumulo dos cumulos! Levantou num pulo, jogou a mochila nas costas, caçou a chave da moto e seu capacete. Ninguém entendia nada, enquanto ele chutava tudo o que impedisse sua fuga. A irmã descolando finalmente do namoradinho funkeiro indaga:
-Já vai?
-É muito para meus nervos. Todos vocês! Se não querem me ver de pulsos cortados nem tentem me impedir! –esbraveja o moço enquanto subia na moto- QUEM SABE EM OUTRO VERÃO!!! – Despediu-se enquanto a moto rugia e partia mais rápido do que os brega’s family poderiam notar de tão perplexos estavam.
“Ou não...” completou em sua mente, enquanto sentia o vento e a liberdade batendo em seu rosto...

16 agosto 2011

->Meu príncipe encantado!

"Meu príncipe encantado usa All Star e adora jeans desbotado.
Ele decretou que não gosta das mesmas bandas que eu, nem eu as dele. Mas as vezes percebemos que estamos ouvindo as músicas um do outro;
Meu príncipe encantado corta o cabelo curto demais, dorme quando estamos conversando e detesta dançar.
Ele esquece de me ligar, esquece da hora que marcamos de sair, enfim esquece tudo. Mas no fim aparece com um Mentos pedindo desculpa;
Meu príncipe encantado chega no fim de semana xingando o gerente do trabalho, xingando o ônibus, o trânsito, o mundo. Como qualquer ser humano;
Meu Príncipe encantado detesta estudar;
Meu Príncipe tem umas girias que não entendo;
Meu principe encantado detesta cavalo;
Detesta minha melhor amiga;
Acorda tarde;
Não sabe escrever cartas de amor;
Nunca me mandou um buquê de rosas;
Jamais me fez uma serenata;
Esquece do aniversário de namoro;
E detesta azeitona;
Meu príncipe encantado tem manias estranhas;
Gostos divertidos;
Não me carrega no colo;
Tem todos os personagens que ele adora colado na parede do quarto;
Seu sonho é ter um criado-mudo de gibi.
Ele é bagunceiro, não tem regras, come a hora que da fome, quer me beijar sabendo que meu irmão está do lado;
Esquece de ter ciúmes de mim;
Meu príncipe encantado ele não é nada perfeito. Mas no fim de tudo, ao final de cada dia... Não importa o quanto brigamos, o quanto discordamos um do outro, nos estressamos. Ele olha em meu rosto e sempre diz que me ama e que sou a mulher da vida dele.
E não importa o quanto eu tenha razão, esteja nervosa, entediada. Sempre sorrio e digo que o amo também.
Tem todos os motivos de eu achar defeitos, mas todos para eu amar. Ele admite que não é perfeito. Que não sou também
Ele não acredita em lendas de amor nem nada neste contexto. Mas acredita em nós.
Ele não chegou de cavalo branco nem nada parecido. Mas chegou no meu coração. 
Não chegou de farda, com uma bagagem de palavras belas me pedindo em casamento. Mas chegou enlaçando-me pela cintura e dizendo que eu era dele. E a partir dai nada mais importou...

" O amor não é medido pelas coisas perfeitas. Tão fácil é amar o lado bom de alguém. Tão desafio amar os defeitos e conviver harmoniosamente..."